Prova para porfessores da rede estadual.
O governo Serra avança cada vez mais contra os profissionais da educação, jogando a responsabilidade pela falta de qualidade na educação nas costas daqueles que juntamente com as crianças são os que mais sofrem com o descaso dos governos neoliberais.
Agora os professores serão avaliados e com o resultado de uma prova, somado ao tempo de serviço, serão classificados para a atribuição de aulas.
Isso não é novidade para quem acompanha a trajetória da atual secretária de educação, que era a responsável direta pelo Provão na época do governo FHC com Paulo Renato como ministro da Educação. Para eles a solução é classificar, "ranquear", punir e premiar, obrigar os sujeitos a procurarem soluções por conta própria, se possível com as famigeradas parcerias.
A competição é a solução...
Mas não vou me alongar nisso, o modo tucano de destruir a eduação não é novidade.
Quero apenas falar de algumas questões que me preocupam quando penso nesta prova dos OFAs.
Primeiro: ela é apenas mais um pequeno passo na implantação de um sistema totalmente baseado na competição e na diferenciação das escolas. Para as escolas com "bons resultados" mais investimentos, os "melhores" professores, as melhores condições, para as outras... Outras medidas virão, basta que a prova seja "assimilada".
Segundo: como será essa prova? Vai procurar avaliar o domínio do professor sobre o conteúdo de sua área. Mais uma vez reduzem o problema... Ninguém avalia se o professor têm condições reais de realizar seu trabalho, as condições do aluno, o papel das empresas privadas que diplomam professores sem a preocupação com a qualidade da formação. E mais ainda: quem elaborará e aplicará essa prova? Qual a lisura desse processo (para não esquecer da "seriedade" do SARESP na produção de estatisticas)?
Terceiro: "Ela não é eliminatória, apenas classificatória, conquista da luta do sindicato..." Quando ouço isso me parce que não fica claro que a maior perversidade desse processo é exatamente essa classificação (que também está presente quando o processo é eliminatório).
Do ponto de vista puramente educacional essa prova vai contra tudo que se defende atualmente no campo da avaliação: pontual, punitiva, sem critérios claros, incapaz de oferecer elementos que ajudem a solucionar os problemas (a não ser que concordemos que a disputa entre professores gerará a qualidade...).
Ela poderia muito bem ser substituida por qualquer outro instrumento de classificação, qualquer competição, sem qualquer alteração na qualidade da educação estadual. Podia ser uma corrida por exemplo. Bastaria aos candidatos se preparem adequadamente para enfrentar a concorrência ( e não para enfrentar os problemas do dia-a-dia), seria uma especie de maratona do magistério, e ainda teria outros beneficios, afinal haja preparo físico pra enfrentar o ano letivo (que tá mais pra corrida com barreiras!).
Desculpem talvez essa não seja uma boa comparação... afinal numa corrida fica muito claro o objetivo(chegar na frente), o que se deve fazer (correr) e o critério (cruzar a linha de chegada)...
Por fim eu pergunto: adianta uma mobilização para que todos tenham um bom resultado nessa prova? Claro que não, se a idéia é classificar sempre teremos os primeiros e os últimos, se a idéia é rankear a prova será pensada para diferenciar as pessoas e não para verificar o que sabem...
Bons tempos do Provão, pelo menos o movimento estuantil sabia que a única forma de enfrentar era desqulificar o processo, boicotando. Cursinho preparatório é a armadilha óbvia.
Depois falo mais e organizo melhor os pensamentos.
